A gente não precisa se expor nos stories pra criar conexão
- Ana Palombo

- 30 de abr.
- 6 min de leitura

Hoje eu queria falar sobre uma coisa que parece pequena, boba, quase besta… mas que muda completamente a forma como você cria conteúdo — principalmente nos stories.
Ontem eu tive uma conversa com uma cliente que virou uma chavinha na cabeça dela. E, coincidentemente, hoje eu li uma newsletter da @leticia.imai que bateu muito com o que a gente estava falando. Então percebi que essas duas coisas juntas viram um recado bem importante: a gente não precisa se expor pra criar conexão. Tampouco precisamos transformar tudo em venda direta pra fazer conteúdo funcionar.
Vou te explicar.
A confusão que muita gente faz: autenticidade ≠ mostrar tudo
A newsletter dizia algo que parece polêmico num mundo de creators: “Pare de se expor na internet.”
E, por incrível que pareça, eu concordo.
Porque tem uma galera confundindo autenticidade e lifestyle com “mostrar tudo”, como se abrir a vida inteira fosse o preço obrigatório pra criar conexão. Só que isso cria um tipo de conexão meio vazia. As pessoas até gostam — porque fofoca dá atenção — mas é uma atenção que não necessariamente respeita você, nem sustenta o seu trabalho. As pessoas perdem o filtro do que é importante e agrega no seu trabalho, daquilo que apenas acaricia o ego.
E pior: quando você abre demais coisas da sua vida, você abre espaço pra opinião demais. A pessoa se sente íntima. A pessoa acha que pode comentar sobre decisões que são só suas. E aí mora o perigo, tanto de perder sua identidade quanto de você fomentar julgamentos quando queria apenas endossar autoridade e conexão.
Mas, em uma linha, vou te mostrar a diferença que muda tudo: rotina sem narrativa vira fofoca. Rotina com narrativa vira conexão.
A palavra-chave é: narrativa.
Significado de Narrativa substantivo feminino / Ação, efeito ou processo de narrar, de relatar, de expor um fato, um acontecimento, uma situação (real ou imaginária), por meio de palavras; narração.
E é exatamente aqui que a conversa com a minha cliente encaixa.
“Mas o que eu posto no story?”: o erro de tentar racionalizar e conectar tudo com venda
Minha cliente queria aumentar engajamento, alcance, resultado… mas ela cria conteúdo muito bem. Posta de forma consistente, tem uma boa argumentação, não tem problema em gravar vídeos, cria bons carrosséis, tem uma newsletter muito boa. Onde podemos explorar mais seu conteúdo, então? Foi aí que a gente caiu num ponto bem simples: ela quase não usa stories.
Com a ajuda da Palombina, o restante dos conteúdos fluem bem! Só que na cabeça dela, stories são difíceis porque ela pensa assim: “Ok… eu vou postar meu dia a dia. Mas como eu conecto isso com o meu trabalho?”
E aí ela entra numa armadilha muito comum para muita gente, que é achar que precisa fazer uma conexão racional e imediata entre o que ela está mostrando com o que ela vende. Isso é quase um raciocínio comercial e funciona para vários tipos de conteúdo como anúncios e outros casos que necessitam dessa objetividade rápida. Mas nos stories não funciona assim.
No caso eu estava conversando com ela por vídeo enquanto cortava um melão. Então aproveitei esse que achei um ótimo exemplo.
Na cabeça dela, o raciocínio era o seguinte: “Por que eu tô cortando um melão?” “Como isso faz alguém comprar meu serviço?”
E é aqui que eu queria que você guardasse uma coisa importante: o caminho é inverso.
Você não começa com “o que eu vou fazer pra alguém comprar?”. Você começa com “como eu deixo as pessoas verem que eu sou fluente no que eu faço?”.
Porque, vamos ser honestas, ninguém liga pro melão. Se eu abrir um story para falar qualquer coisa, o melão pode até gerar um tipo de curiosidade que prende a atenção. Mas ele serve apenas para isso: gancho visual.
O melão não é o assunto. O melão é o cenário. Ninguém vai pensar: “nossa, ela cortou melão 10h30, que inspirador, vou contratar.” Isso não existe. E o que aparece por trás do cenário é o que importa: o jeito que você pensa, a fluência com que você fala do seu trabalho, o seu repertório, a sua tranquilidade pra explicar, sua visão sobre o que faz.
O story não precisa justificar o melão. Ele precisa usar o melão como pano de fundo. Simples assim.
Por isso, quando falamos “use momentos da sua rotina para criar conteúdo”, o que queremos dizer é simplesmente: não espere o momento ideal para falar aquilo que está na sua cabeça e tem a ver com o seu trabalho! Não precisa estar com a roupa perfeita, no cenário perfeito. O story que gera conexão vai ser aquele mais próximo da sua rotina, pois a curiosidade e o interesse das pessoas em se conectarem com você vão além do seu conteúdo.
Portanto, a pergunta não é “como isso vende?”. A pergunta é: o que isso revela sobre mim e sobre o meu trabalho?
E aí, sim, a conexão começa a acontecer.
Mas as pessoas não compram só narrativa… elas compram solução.
Aí entra a outra parte importante: hoje as pessoas não compram só por narrativa. Narrativa ainda é importante, mas o produto/serviço precisa resolver uma dor real do mercado. Sem isso, nada se sustenta.
E aqui vale um ponto: quando você vende serviço, muitas vezes o valor é indireto. Você não entrega um “objeto” na mão da pessoa, você entrega um processo.
Às vezes o resultado não é simples como “um post” = “uma venda”. Às vezes o resultado do post é mais subjetivo, é a confiança que você ganha, a clareza na argumentação sobre seu trabalho, a consistência em aparecer nas redes, a fluência com que fala sobre seu trabalho.
Tudo isso agrega valor ao seu trabalho. E isso, com o tempo, vira venda. Vira oportunidade. Vira crescimento.
Mas como é que você prova esse valor, se ele é intangível?
Uma das formas mais fortes é essa: mostrando fluência no dia a dia.
Quando você aparece com naturalidade falando do seu trabalho, assim no meio da vida real mesmo, você está provando que aquilo funciona. Você está mostrando repertório, presença, domínio. E isso é uma forma de vender muito mais poderosa do que a tentativa desesperada de “linkar tudo” com um CTA.
Porque o público não precisa ver você vendendo o tempo todo. Ele precisa ver você existindo com consistência no que você vende. Isso cria confiança. E confiança gera… compra.
Então qual é o limite entre “exposição” e “narrativa”?
A linha é tênue, já vou avisando. A parte mais importante é lembrar que não é sobre mostrar tudo. O pessoal não entra como protagonista, ele entra como contexto.
Você não precisa postar decisões que amanhã podem ser só suas: relacionamentos, mudanças irreversíveis, coisas que você ainda está processando, projetos que podem mudar de rumo. Mas você também não precisa se privar de postar. Existe um meio caminho.
E esse meio caminho é: mostrar o que constrói significado. Em stories, o que funciona não é o “acontecimento”, é o sentido.
Uma boa narrativa, muitas vezes, é só uma boa criatividade: pegar algo simples e usar aquilo como uma ponte pra revelar um pensamento, uma estratégia ou reflexão.
No fim… por que raios eu estou cortando melão?
E aqui entra o final do meu exemplo cortando melão. Se você apenas abre meu story e me vê com roupas duvidosas no meio da cozinha cortando melão e pensa… “por que raios ela está fazendo isso?”, eu te respondo de forma bem simples: porque enquanto eu corto melão, eu consigo falar do meu trabalho. Eu consigo pensar estratégia. Eu consigo elaborar um pensamento. Consigo formular uma ideia.
E com essa ideia que era uma conversa e foi para os stories… eu consigo escrever um texto. E esse texto vira um post. E com esse post eu consigo te ensinar algo e mostrar meu trabalho.
E isso diz mais sobre mim e sobre a Palombina do que qualquer story “perfeito” dizendo “bom dia, agenda lotada, empreendendo”.
Porque mostra fluência. Mostra processo. Mostra repertório. Mostra que o trabalho acontece enquanto a vida acontece. E o conteúdo também.
E isso, no fim, é o que o público quer ver: não a sua vida como fofoca, mas a sua vida como contexto de uma marca que existe com intenção.
Então da próxima vez que você for postar um story e pensar: “ah, mas isso não tem nada a ver com o meu trabalho…”, respira e troca a pergunta para uma dessas:
Isso explica algo sobre mim?
Isso sustenta minha narrativa?
Isso mostra como eu penso?
Isso constrói confiança?
Se sim, posta.
Porque criar conteúdo não é seguir protocolo. E as vezes nem racionalizar o processo tanto assim. Tampouco pensar no cenário mais lindo e maravilhosos possível. É aprender a enxergar histórias no simples — sem se expor além do que é saudável. E usar isso como ponte para mostrar o que você faz de verdade.



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